No exercício de 2013, o resultado líquido do Grupo REN registou um decréscimo de 1,8% (-2,3 milhões de euros), situando-se nos 121,3 milhões de euros. A contribuir para este decréscimo esteve essencialmente a redução de 6,2 milhões de euros (-4,6%) nos resultados financeiros, motivada pela subida dos custos de financiamento devido ao aumento da dívida bruta média. Por outro lado, compensando parcialmente esta evolução, o EBITDA registou um crescimento de 9,9 milhões de euros (+1,9%) comparativamente ao ano de 2012, refletindo fundamentalmente um esforço de melhoria contínua do desempenho operacional do grupo.

De referir que, decorrente da adoção de alterações da norma IAS 19 – Benefícios dos empregados, a qual é de aplicabilidade obrigatória nos exercícios económicos iniciados em ou após 1 de janeiro de 2013 (ver Notas 3.1 e 21 do Capítulo 5 – Demonstrações financeiras consolidadas), os valores reportados referentes a 31 de dezembro de 2012 foram reexpressos, tendo-se passado a considerar a utilização de uma taxa de desconto única em conformidade com a nova redação da IAS 19, tendo como efeitos um acréscimo na rubrica de Gastos com pessoal da demonstração consolidada dos resultados de 2012 (e como tal uma redução do resultado líquido do exercício de 2012), por contrapartida da rubrica de Resultados acumulados em 31 de dezembro de 2012, no montante de 0,3 milhões de euros.

O investimento do grupo registou uma redução de 6,6% (-13,2 milhões de euros), como reflexo da conclusão do Projeto de Expansão do Terminal de Sines (23,5 milhões de euros) durante o ano de 2012, tendo os ativos transferidos para exploração refletido o mesmo efeito (-75,6 milhões de euros -23,6%). Apesar destas reduções, o valor médio do RAB (custos de referência) aumentou 3,2% face ao ano anterior.

As condições de acesso ao mercado de financiamento do grupo começaram a inverter durante o ano de 2013, tendo o custo médio da dívida ascendido a 5,54%, uma redução de 16 b.p. face ao exercício anterior, e a dívida líquida reduzido 110,1 milhões de euros (-4,4%) quando comparada com 2012.

PRINCIPAIS INDICADORES

[milhões de euros]

 '13 '12 VAR.%
EBITDA7  521,5  511,6 1,9%
RESULTADO LÍQUIDO  121,3 123,6  -1,8%
CAPEXO TOTAL  187,8 121,1  -6,6%
RAB MÉDIO (A CUSTOS DE REFERÊNCIA)  3.488,9  3.380,7  3,2%
CUSTO MÉDIO DA DÍVIDA   5,45%  5,70%  0,16 p.p
RESULTADO FINANCEIRO  -142,3  -136,0  -4,6%
TRANSFERÊNCIAS PARA EXPLORAÇÃO (A CUSTOS HISTÓRICOS)9  245,0  329,6  -23,6%
RESULTADO LÍQUIDO RECORRENTE8  120,7 120,2  0,4%
DÍVIDA LÍQUIDA  2.402,3  2.512,4  -4,4%

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7 Registou-se em 2013 uma pequena alteração na metodologia utilizada no cálculo do EBITDA, tendo sido ajustado o valor de 2012 para efeitos de comparabilidade, utilizando os mesmos critérios.

8 O Resultado líquido recorrente de 2013 reflete o efeito do cost of carry do penhor do Banco Europeu do Investimento, considerado como item não recorrente, tendo sido ajustado o valor de 2012 para efeitos de comparabilidade, utilizando os mesmos critérios.

9 Inclui aquisições diretas (RAB related).

Resultado Operacional - EBITDA

O EBITDA situou-se nos 521,5 milhões de euros, refletindo um aumento de 9,9 milhões de euros (+1,9%) em relação a 2012. Apesar do forte impacto nos proveitos da empresa, resultante da diminuição das taxas de remuneração dos ativos, salienta-se a evolução positiva verificada, fruto essencialmente do esforço realizado na redução dos custos operacionais.

EBITDA

[milhões de euros]

 ‘13 ‘12  Var.%
1) Proveitos de ativos  474.7  493.1  -3,5%
RemuneraÇÃo do RAB  269.0  286.6  -6.2%
Diferenças de alisamentos e efeito de neutralidade (gás)  -11.5  -7.5  53.7%
Remuneração terrenos  8.3  9.7  -13.6%
Renda dos terrenos da zona de proteção  0.7  0.8  -1.1%
Remuneração ativos fim de vida  8.3  7.9  4.6%
Recuperação amortizações (líquidas de subsídio ao investimento)  181.7  177.3  2.5%
Amortizações de subsídios ao investimento  19.1  18.4  4.1%
2) Proveitos de Opex  104.6  110.4  -5.2%
3) Outros proveitos  21.1  7.3  n.m.
4) TPE's (capitalizados no investimento)  25.3  27.6  -8.4%
5) Rendimentos de construção - Ativos concessionados  162.2  172.9  -6.2%
6) OPEX  110.7  123.5  -10.4

Custos com pessoal10

 54.2  53.5  1.2%
Custos externos  56.5  70.0  -19.3%
7) Gastos de construção - Ativos concessionados  162.2  172.9  .6.2%
8) Provisões / (reversão)  -0.2  0.6  n.m.
9) Imparidade de dívidas a receber / (reversão)  -5.3  2.6  n.m.
10) EBITDA (1+2+3+4+5-6-7-8-9)  521.5  511.6  1.9%
11) Amortizações  201.2  197.4  2.0%
12) Resultados financeiros  -142.2  -136.0  4.6%
13) Imposto de exercício  56.7  54.6  3.8%
14) Resultado líquido (10-11+12-13)  121.3  123.6  -1.8%
15) Itens não recorrentes (14+15)  -0.6  -3.3  n.m.
16) Resultado líquido recorrente  120.7  120.2  0.4%

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10 Inclui i) reclassificação de custos com formação e seminários e de combustíveis de empregados, de custos externos para custos com pessoal (0,9 milhões de euros em 2012 e 0,6 milhões de euros em 2013) ), e ii) provisão de 2 milhões de euros em 2012.

A contribuir positivamente para a evolução do EBITDA, destacam-se os seguintes fatores:

  • Redução do Opex em 12,8 milhões de euros (-10,4%), destacando-se: i) redução de 5,5 milhões de euros em custos não core, dos quais -2,8 milhões de euros em limpeza das florestas e -3,3 milhões de euros em serviços de sistema e tarifa transfronteiriça; ii) diminuição de 8,0 milhões de euros em custos externos core, dos quais -4,4 milhões de euros na contratação de serviços especializados, -1,0 milhões de euros em custos de manutenção e -0,9 milhões de euros em custos com publicidade;
  • O crescimento verificado em outros proveitos (+13,8 milhões de euros), motivado fundamentalmente pelo aumento de 9,2 milhões de euros em juros de desvios tarifários, que se situaram em 2012 nos -6,5 milhões de euros (resultantes de desvios devolvidos à tarifa) e em 2013 nos 2,7 milhões de euros (resultantes de desvios recebidos da tarifa).
  • Os proveitos de recuperação de amortizações que aumentaram 4,4 milhões de euros (+2,5%), em consonância com o aumento da base de ativos regulados;
  • A variação de 7,9 milhões de euros em imparidades de dívidas a receber, resultante do registo de uma imparidade em 2012 (-2,6 milhões de euros), e da reversão em 2013 das imparidades acumuladas em anos anteriores no valor de 5,6 milhões de euros.


Estes efeitos positivos foram parcialmente anulados por:

  • Redução de 17,6 milhões de euros (-6,2%) na remuneração do RAB, dos quais -19,6 milhões de euros na remuneração dos ativos da eletricidade (excluindo terrenos), justificada essencialmente pela redução da taxa base de remuneração, que passou de 9,55% para 8,06% (a taxa de remuneração dos ativos da eletricidade está indexada à evolução da média diária dos CDS a cinco anos da república portuguesa), compensada em parte pelo aumento do RAB médio (+94,6 milhões de euros; +4,8%), bem como pelo aumento do peso dos ativos com prémio, que passaram de 38% para 43% do total em 2013;
  • Redução na remuneração de terrenos hídricos, que passou de 9,7 milhões de euros em 2012 para 8,3 milhões de euros em 2013 (-1,3 milhões de euros; -13,6%), devido à redução das taxas swap interbancárias11
  • Redução dos proveitos de recuperação de Opex (-5,7 milhões de euros; -5,2%), em consonância com a redução verificada nos gastos operacionais do grupo;

11 Remuneração calculada com base na taxa swap interbancária de prazo mais próximo ao horizonte de amortização legal dos terrenos em causa, acrescida de 0,5%.

Resultado Líquido

Apesar do crescimento do EBITDA, o resultado líquido agravou-se em -2,3 milhões de euros (-1,8%), devido ao aumento das amortizações do grupo (+3,9 milhões de euros; +2,0%), consistente com o aumento da base de ativos, e à diminuição dos resultados financeiros (-6,2 milhões de euros; -4,6%). A redução dos resultados financeiros é explicada fundamentalmente pelo aumento da dívida bruta média (necessária para assegurar visibilidade de liquidez para efeitos de rating), pese embora a redução do custo médio de financiamento para 5,54% (-16 b.p.).

O Resultado líquido recorrente (i.e. Resultado líquido expurgado de itens não recorrentes) cresceu 0,4% (0,5 milhões de euros). Os itens não recorrentes considerados em 2013 e 2012 são os seguintes:

  • Em 2013 – i) reversão das imparidades de dívidas a receber registadas em anos anteriores (5,3 milhões de euros; 3,8 milhões de euros líquido de impostos); e ii) efeito do cost of carry do penhor do Banco Europeu do Investimento (4,6 milhões de euros; 3,2 milhões de euros líquido de impostos);
  • Em 2012 – i) correção do excesso de estimativa de imposto sobre o rendimento de -5,6 milhões de euros relativo ao reconhecimento como custo fiscal da provisão para a indeminização relativa ao processo Amorim Energia; ii) registo da provisão para imparidade de dívidas a receber no valor de 2,6 milhões de euros (1,8 milhões de euros líquido de impostos); e iii) efeito do cost of carry do penhor do Banco Europeu do Investimento, constituído em novembro de 2012 (0,7 milhões de euros; 0,5 milhões de euros líquido de impostos).


 

Resultado Líquido
[milhões de euros]

'13 '12 Var.%
EBITDA 521.5 511.6 1.9%
AmortizaçÕes 201.2 197.4 2.0%
Resultado financeiro -142.2 -136.0 4.6%
Imposto do exercício 56.7 54.6 3.8%
Resultado Líquido 121.3 123.6 -1.8%
Itens não recorrentes -10.6 -3.3 n.m.
Resultado líquido recorrente 120.7 120.2 0.4%

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Capex e RAB Médio

O Capex total ascendeu a 187,8 milhões de euros, uma descida de 13,2 milhões de euros (-6,6%), da qual -15,1 milhões de euros no gás natural e +2,1 milhões de euros na eletricidade. Esta redução deve-se essencialmente à conclusão do projecto de expansão do terminal de Sines (23,5 milhões de euros) durante o ano de 2012.

Seguindo o mesmo efeito o valor de ativos transferidos para exploração decresceu 75,6 milhões de euros (-23,6%), situando-se nos 245,0 milhões de euros. À semelhança do capex, este decréscimo é explicado pelo efeito da transferência para exploração do terminal de Sines em 2012 (106,9 milhões de euros).

O RAB médio cresceu 3,2% (+108,2 milhões de euros), situando-se nos 3.488,9 milhões de euros, do qual 81,0 milhões de euros no segmento da eletricidade e 27,2 milhões de euros do segmento do gás natural. Na eletricidade, o crescimento do RAB médio dá-se sobretudo nas categorias com maior taxa de retorno, sendo que do seu aumento, 139,4 milhões de euros verificaram-se na eletricidade com prémio (RoR de 9,6%), enquanto as categorias com menor taxa de retorno (terrenos hídricos, RoR de 2,8%, e eletricidade sem prémio, RoR de 8,1%) viram o valor do RAB médio diminuir 12,9 milhões de euros e 44,8 milhões de euros, respetivamente.

Investimento

No segmento da eletricidade destacam-se os projetos associados ao reforço das condições de alimentação às redes de distribuição, à segurança e fiabilidade de funcionamento global do sistema, e ao reforço da capacidade de receção de energia, em particular de fontes renováveis.

Merecem destaque: o desenvolvimento da rede na zona de Trás-os-Montes, onde foram investidos 14 milhões de euros, o reforço da rede no eixo do Douro e região do Porto, onde se investiram 49 milhões de euros, da faixa litoral a sul do Porto (Feira) 17 milhões de euros, o desenvolvimento da rede na zona da Beira Interior (14 milhões de euros) e da zona de Lisboa e Península de Setúbal (33 milhões de euros).

No segmento do gás destacam-se os trabalhos de construção do gasoduto Mangualde-Celorico- Guarda, onde foram investidos cerca de 19,7 milhões de euros em 2013, e da cavidade C6 de armazenagem de gás natural, com um investimento de 4,5 milhões de euros.

PRINCIPAIS PROJETOS REALIZADOS EM 2013   
 Imagem_tabela_1 Imagem_tabela_2
ELETRICIDADE
(PROJETOS PRINCIPAIS) 
GÁS
(PROJETOS PRINCIPAIS) 
48,5 MD DESENVOLVIMENTO DA REDE NA ZONA DO PORTO E EIXO DOURO 19,7 MD GASODUTO MANGUALDE-CELOURICO-GUARDA
[REN GASODUTOS]
32,9 MD REFORÇOS DE REDE NA ZONA LISBOA/PENÍNSULA DE SETÚBAL 4,5 MD CAVIDADE 06 [REN ARMAZENAGEM]
17,2 MD REFORÇOS DA REDE NA FAIXA LITORAL A SUL DO PORTO 3,4 MD OUTROS PROJETOS
17,2 MD REFORÇO DA REDE NA FAIXA LITORAL A SUL DO PORTO    
14,1 MD DESENVOLVIMENTO DA REDE NA ZONA DE TRÁS-OS-MONTES    
14,2 MD DESENVOLVIMENTO DA REDE NA ZONA DA BEIRA INTERIOR    
30,6 MD OUTROS PROJETOS    
ELETRICIDADE 157,6M€ OUTROS NEGÓCIOS:0,4M€ GÁS 29,9M€
  INVESTIMENTO DO GRUPO EM 2013: 187,8MD  

Eletricidade

O investimento realizado na área da eletricidade foi de 157,6 milhões de euros (+1,3%) e as entradas em exploração ascenderam a 197,3M€ (-1,8%). Na região de Trás-os-Montes entrou em serviço a nova ligação a 220 kV Valpaços – Vila Pouca de Aguiar, concluindo o fecho da malha a 220 kV do eixo transmontano entre Lagoaça e Valdigem, para melhoria de alimentação aos consumos e escoamento da produção injectada na rede nesta zona.

No eixo do Douro e zona do Porto, entraram em serviço as ligações a 400 kV Armamar-Recarei e Recarei-Vermoim, a par da introdução do nível de 400 kV na subestação de Vermoim. Ainda na zona do Porto, ficou concluída a remodelação para 220 kV da instalação da Siderurgia Nacional da Maia e do respectivo ramal de alimentação.

Na região litoral a sul do Grande Porto entrou em serviço a nova subestação 400/60 kV da Feira, alimentando consumos dos concelhos de São João da Madeira, Feira e Arouca.

Na Beira Interior entrou ao serviço a segunda ligação a 150 kV entre as subestações da Falagueira e de Castelo Branco, reforçando nesta região a capacidade de receção de energias renováveis e a segurança global de operação da rede.

Na zona de Lisboa e na Península de Setúbal, para melhoria da garantia na alimentação aos consumos, destaca se a construção do novo circuito subterrâneo a 220 kV entre as subestações de Alto de Mira e de Sete Rios e a introdução do nível de 400 kV na subestação de Fernão Ferro.

Foram colocados em serviço sete novos transformadores, tendo a potência de transformação instalada aumentado em 1.069 MVA (dos quais 320 MVA na SN Maia).

PRINCIPAIS INVESTIMENTOS DO GRUPO - ELETRICIDADE

Gás Natural

O investimento realizado na área do gás natural atingiu os 29,9 milhões de euros (-33,6%) e as entradas em exploração totalizaram 47,7 milhões de euros (-60,1%).

A REN Gasodutos prosseguiu a execução do plano de desenvolvimento e investimento na rede nacional de transporte, infraestruturas de armazenamento e terminais de GNL (RNTIAT) durante o ano de 2013. Este plano incluiu projetos de desenvolvimento e de expansão, de investimentos de reforço interno, de remodelação e de ligação à RNDGN e a clientes.

No âmbito dos projetos de expansão da RNTGN, a REN Gasodutos colocou em exploração o gasoduto Mangualde-Celorico-Guarda, com cerca de 76 quilómetros de extensão, que liga em anel os Lotes 5 (Monforte/Guarda) e 6 (Cantanhede/Mangualde), aumentando deste modo a segurança do abastecimento e potenciando a futura terceira interligação da RNTGN com Espanha. Com este gasoduto foram colocadas em exploração quatro novas estações, Arcozelo, Soeiro do Chão, Celorico da Beira e Avelãs de Ambom. Este projeto foi considerado elegível no âmbito do Programa Energético Europeu para o Relançamento (EEPR) da CE.

Na REN Armazenagem assinala-se a continuação da construção da cavidade RENC-6, a qual esteve em fase de lixiviação durante todo o ano de 2013, estimando-se um volume final de cerca de 530.000 m3. Foi realizado o primeiro enchimento com gás natural da cavidade TGC-2 da Transgás-Armazenagem

PRINCIPAIS INVESTIMENTOS DO GRUPO – GÁS