Os contratos de aquisição de energia (CAE) não sujeitos a cessação antecipada em conformidade com o Decreto-Lei n.o 172/2006, de 23 de agosto, são geridos até ao seu termo pela REN Trading, uma empresa detida a 100% pela REN - Redes Energéticas Nacionais, SGPS.

Neste contexto, a REN Trading gere o CAE com a Tejo Energia, referente ao centro eletroprodutor térmico do Pego (576 MW), e o CAE com a Turbogás, para o centro eletroprodutor térmico da Tapada do Outeiro (990 MW). O objeto da empresa é a maximização dos proveitos com a venda de energia e serviços de sistema em mercado, aliada à minimização dos custos dos CAE, em conformidade com o Despacho n.o 11210/2008, alterado pela Directiva n.o 7/2011, de 22 de dezembro e pela Diretiva n.o 1/2013, de 2 de janeiro, da ERSE.

No âmbito da gestão dos respetivos CAE, a REN Trading adquire a totalidade da energia e serviços de sistema às centrais do Pego e da Turbogás. Nesta atividade há também que acompanhar os mercados de combustíveis (carvão e gás natural) e seus indexantes, para além do acordo de gestão de consumos de gás natural (AGC) estabelecido com a Galp Gás Natural, SA.

Durante 2013, procedeu-se a negociações pontuais com a Galp para redução dos quantitativos de gás a consumir obrigatoriamente na central da Turbogás no corrente ano, de modo a adaptar a produção da central às reais necessidades do mercado, com os ganhos que daí advieram na redução dos custos a suportar pelos consumidores.

No contexto da atuação no mercado europeu de licenças de emissão (ETS - Emissions Trading Scheme), houve uma participação mais ativa do que em anos anteriores na bolsa ICE (Intercontinental Exchange), bolsa de referência do mercado de futuros.

Cabe à REN Trading gerir as necessidades de licenças de emissão de CO2 das duas centrais, uma vez que, com o início da fase 3 (2013-2020), não existem alocações gratuitas de licenças às centrais elétricas. Foi estabelecida uma estratégia de gestão destas obrigações ambientais, o que compreende a compra de licenças de emissão, nomeadamente EUA (European Unit Allowances) em mercado secundário, de futuros, na bolsa ICE. O ano 2013 continuou a ser marcado pela queda dos preços do mercado de carbono, fruto de diversos fatores.

A venda de energia elétrica em mercado é maioritariamente efetuada através da atuação no mercado ibérico de eletricidade (colocação de ofertas de venda e recompra diárias e intradiárias no OMIE) e no mercado de serviços de sistema, operado pelo gestor de sistema. Continuou ainda a registar-se uma participação ativa no mercado de serviços de sistema de Portugal, com bons resultados globais.

Para melhorar os resultados alcançados com as vendas, e como forma de diversificação de risco, a REN Trading participou nos diversos leilões CESUR realizados ao longo de 2013, tendo só havido contratação no primeiro trimestre com resultados finais positivos.

Através da sua área de produtos financeiros são acompanhadas as tendências dos mercados mais relevantes para o setor, com maior ênfase na energia e licenças de emissão de CO2. São realizadas as operações de compra em futuros das licenças de CO2 emitidas pelas centrais, coberturas a prazo (no mercado de derivados) e também são negociadas algumas operações puramente financeiras a título de prestação de serviços à REN SGPS.

Tratando-se duma empresa regulada, a ERSE estabeleceu no seu Despacho n.o 11210/2008, de 8 de abril, alterado pela Diretiva n.o 7/2011, de 22 de dezembro, e pela Diretiva n.o 1/2013, de 2 de janeiro, um conjunto de incentivos que definem métodos de partilha dos benefícios das atividades reguladas entre os consumidores de energia elétrica e a empresa. O valor final dos incentivos resulta da atuação nas diversas vertentes de atividade da empresa, relacionadas quer com a otimização das vendas da energia das centrais, quer com a minimização dos custos de aquisição de gás natural e de licenças de emissão de CO2.

Os resultados operacionais da empresa em 2013 correspondem, assim, ao valor calculado para os incentivos definidos pela ERSE, que se identificam a seguir (tendo o ICO2, incentivo relativo à eficiente gestão das licenças de emissão de CO2, sido eliminado neste ano, bem como os swaps, pois já não existe alocação anual de EUA para troca):

  • I1 – Incentivo relativo à eficiente oferta da energia da central da Turbogás no mercado diário (limitado a 1,5 milhões de euros totalmente atingido em 2013)
  • I3 – Incentivo relativo à otimização da produção da central da Tejo Energia (limitado a 1,5 milhões de euros, totalmente atingido em 2013)


O total dos incentivos obtidos em 2013 é, assim, de 3,0 milhões de euros um valor inferior ao registado no ano anterior (devido à extinção dos incentivos relativos às licenças de emissão de CO2).