Qualidade de serviço

O desempenho das infraestruturas de gás natural da REN, em termos de continuidade de service, voltou a ser excelente em 2013, uma vez que não ocorreu nenhuma interrupção de serviço e todos os indicadores das caraterísticas do gás natural ficaram compreendidos entre os limites definidos no Regulamento de Qualidade de Serviço (RQS).

O indicador acumulado da frequência de ocorrência, de incidentes por ano, por cada 1000 quilómetros de infraestrutura de transporte em alta pressão é atualmente 0,052, tomando em consideração o tempo total de exposição da infraestrutura, e 0,154, considerando apenas os últimos cinco anos. O valor do mesmo indicador publicado pelo European Gas Pipeline Incident Data Group (EGIG) para a totalidade dos TSO aderentes à iniciativa é de 0,162 para o período dos últimos cinco anos.

No que diz respeito à REN Armazenagem e à REN Atlântico e relativamente aos indicadores definidos no artigo 13º do setor do gás natural, para a qualidade de serviço, estes apresentaram os seguintes valores anuais:

INDICADORES GERAIS PARA A QUALIDADE DE SERVIÇO DA REN ARMAZENAGEM
Cumprimento das nomeaÇÕes da extração de gás natural 100.0%
Cumprimento das nomeações de injeção de gás natural 99.7%
Cumprimento energético de armazenamento 100.0%

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Notas:

- Cumprimento das nomeações de extração de gás natural: quociente entre o número de nomeações cumpridas e o número total de nomeações

- Cumprimento das nomeações de injeção de gás natural: quociente entre o número de nomeações cumpridas e o número total de nomeações

- Cumprimento energético de armazenamento: determinado com base no erro quadrático médio da energia extraída e injetada no armazenamento subterrâneo nomeada relativamente à energia extraída e injetada

INDICADORES GERAIS PARA A QUALIDADE DE SERVIÇO DA REN ATLÂNTICO

A indisponibilidade total foi de 23 horas, das quais 11 foram planeadas, traduzindo estes valores uma disponibilidade da instalação de 99,76%.

Em termos internos, foram realizadas cerca de 62.301 horas trabalhadas com registo de um acidente sem baixa.

Relativamente aos trabalhadores subcontratados, registaram-se 33.304 horas trabalhadas, tendo também ocorrido um acidente sem baixa.

INDICADORES GERAIS PARA A QUALIDADE DE SERVIÇO DA REN ATLÂNTICO

Cumprimento do serviço comercial (nomeaçÕes) 100.0%
Injeção de gás natural para a rede (injetado/solicitado) 99.54%
Disponibilidade de instalação 99.76%

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Operação do sistema

Em 2013, as entradas de gás natural na infraestrutura explorada pela concessionária da RNTGN foram predominantemente efetuadas por Campo Maior (55,8%), que interliga com o gasoduto do Magrebe e abastece Portugal com gás oriundo sobretudo da Argélia, tendo a entrada proveniente da regaseificação de gás natural liquefeito no terminal de Sines da REN Atlântico contribuído com 40,0%. Os pontos de entrada na rede via armazenamento subterrâneo e Valença corresponderam a 3,5% e 0,7% do total das entradas no sistema nacional, respetivamente. O gráfico seguinte ilustra a desagregação das entradas no sistema.

Relativamente à utilização das capacidades máximas do sistema, em 2013 o valor de entrada máxima por Campo Maior foi de 110,4 GWh e de 150,2 GWh por Sines. Os picos assim registados corresponderam a uma utilização da capacidade máxima de 82,4% em Campo Maior e 78% em Sines. Relativamente à interface com o armazenamento subterrâneo, a extração máxima atingiu um valor de 85,1 GWh e a injeção registou um valor de 23,5 GWh, correspondendo a uma utilização de praticamente 100% da capacidade máxima
da infraestrutura.

Ao longo de 2013 foi articulado pela operação do sistema o comissionamento e entrada em exploração da nova caverna do parque conjunto de cavernas de armazenamento subterrâneo, garantindo para tal a adequada disponibilidade, quer da estação de superfície, quer das condições operativas da RNTIAT.

No que respeita à supervisão do sistema cacional a partir do centro de despacho, foi concluído em dezembro de 2013 o upgrade do sistema de supervisão, controlo e aquisição de dados da REN Gasodutos, que implicou a envolvência de várias equipas técnicas e coordenação das respetivas atividades para garantia da disponibilidade da supervisão e controlo do sistema de transporte de GN. Este projeto, abrangendo a totalidade das estações, tem por objetivo a disponibilização dos dados SCADA em tempo útil aos sistemas a jusante (interfaces) que dele dependem, para o correto funcionamento dos seus processos informáticos.

A passagem para o novo sistema SCADA (VS ICS) decorreu de uma forma gradual (estação a estação), disponibilizando aos utilizadores todas as suas anteriores funcionalidades num ambiente mais amigável e intuitivo, proporcionando ainda o recurso a novas funcionalidades tecnológicas, facilitadoras de acesso à informação e respetiva tomada de decisão.
As regras impostas pelos novos códigos de rede europeus decorrentes do Regulamento CE 715/2009, alterando o paradigma de funcionamento dos sistemas internos de movimentação de GN, tiveram sobretudo maior impacto no que toca à atribuição de capacidades. Assim, tendo sido introduzido o conceito de leilões, foi necessário adequar as regras internas vigentes até então em Portugal, de forma a haver uma adaptação progressiva mas tão rápida quanto possível a esta nova realidade. Nesse sentido, a operação do sistema esteve diretamente envolvida na definição das regras e de produtos conducentes à publicação por parte da ERSE do Manual de Procedimentos de Procedimentos de Acesso às Infraestruturas, MPAI, ocorrida em agosto de 2013, bom como na revisão do Manual de Procedimentos de Gestão Técnica Global. Paralelamente à definição destas regras foi necessário operacionalizá-las através da implementação da respectiva plataforma de acesso com o apoio da operação do sistema.

Ainda em relação com a introdução de novas regras na gestão do acesso às infraestruturas, refere-se a adoção de novos conceitos ao nível do sistema gasista português, com destaque para o caso dos slots operacionais a reservar pelos agentes de mercado no âmbito das operações de receção e expedição de GNL através de navios metaneiros no terminal de Sines, a que se encontra associado o também novo conceito de capacidade de armazenamento operacional relativo à capacidade dedicada em exclusivo para a realização dessas operações.

Operação do terminal de GNL de Sines

Relativamente à atividade de exploração, o terminal de GNL recebeu, em 2013, um total de 41 navios (32 descargas, três operações de arrefecimento e seis operações de carga), correspondentes a um total de energia descarregada de 26,16 TWh e emitiu para a rede 19,52 TWh. Neste mesmo período, foram carregadas 3.138 cisternas, todas para o mercado nacional, correspondentes a um total de energia de 956 GWh.

A empresa realizou seis auditorias, todas com resultados positivos, sendo duas no âmbito da diretiva Seveso, duas no âmbito da verificação do sistema integrado de gestão da qualidade, ambiente, segurança e saúde do trabalho, uma auditoria interna relativa ao Código ISPS e uma no âmbito do contrato de concessão da APS.

Foi realizado um simulacro, com participação de entidades externas, que testou a capacidade de resposta da REN Atlântico e demais entidades envolvidas no âmbito da proteção da instalação (ISPS) e segurança (PEI-Seveso).

Operação da REN Armazenagem

Na globalidade, em 2013 foram extraídos 1.351 GWh e injetados 290 GWh de gás natural nas cavernas da REN Armazenagem, com consumos na ordem dos 4 GWh. Ao nível da utilização das instalações de superfície, a movimentação total de gás natural cifrou-se em 3.671 GWh, repartidos em 1.719 GWh de extração e 1952 GWh de injeção, correspondendo 1.587 GWh ao primeiro enchimento da cavidade TGC-2 da Transgás-Armazenagem. Os autoconsumos globais da estação de gás em 2013 corresponderam a 18 GWh.

No final do ano, e comparativamente com a situação verificada no final de 2012, observou-se o seguinte balanço de quantidades armazenadas:

EXISTÊNCIA DE GÁS NATURAL NA REN ARMAZENAGEM (GWh)*

A 31 DE DEZEMBRO DE 2012 A 31 DE DEZEMBRO DE 2013 VARIAÇÃO 12/13 (ENERGIA)
1,509 443 -71%

* Os valores indicados não incluem o cushion gas

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* Os valores indicados não incluem o cushion gas

Terminal GNL - Armazenagem

NÍVEL MÉDIO DIÁRIO DE EXISTÊNCIAS DE GÁS NATURAL NA REN ARMAZENAGEM (GWh)*

2012 2013 VARIAÇÃO 12/13 (ENERGIA)
1,429 1,218 %

* Os valores indicados não incluem o cushion gas

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* Os valores indicados não incluem o cushion gas

As quantidades armazenadas no final de 2013 representam uma redução de 71% relativamente às registadas no final do ano transacto, justificadas pelas movimentações de gás ocorridas em novembro e dezembro.

A 31 de dezembro de 2013, as características nominais de capacidades das três cavidades da REN Armazenagem em operação apresentavam os seguintes valores:

CAPACIDADES DAS INFRAESTRUTURAS [GWh]

  '12 '13
Capacidade máxima 1,659 1,642
Capacidade máxima efetiva após restrições técnicas 1,483 1,478
Capacidade comercialmente disponível 1,403 1,398
Gás técnico (cushion gas) 1,591 1,591

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Notas:

- Cushion gas: volume de gás imobilizado para garantir a pressão de estabilidade estrutural das cavidades - Capacidade máxima: capacidade máxima, deduzido o valor do respetivo cushion gas

- Capacidade máxima efetiva após restrições técnicas: capacidade máxima deduzida do valor das restrições técnicas de utilização das cavidades

- Capacidade comercialmente disponível: capacidade máxima efetiva após restrições técnicas subtraída da capacidade atribuída ao gestor técnico global do SNGN para reservas operacionais