Qualidade de serviço

A qualidade do servço prestado pela REN, entendida como seguraça e continuidade do abastecimento de energia eétrica com carateísticas écnicas adequadas, situou-se novamente a um ível elevado, mantendo e consolidando a tendência verificada em anos anteriores de uma progressiva e sustentada melhoria do desempenho da Rede Nacional de Transporte.

Os valores registados por três (ENF, TIE e SARI) dos cinco indicadores gerais de continuidade de serviço, estabelecidos no Regulamento de Qualidade de Serviço, foram os segundos melhores de sempre, posicionando deste modo a REN ao nível das melhores empresas congéneres mundiais. Os restantes dois indicadores (SAIFI e SAIDI) registaram o terceiro melhor valor de sempre. O Tempo de Interrupção Equivalente (TIE), indicador de desempenho global usualmente utilizado pela utilities elétricas, foi de 5,4 segundos, o segundo melhor valor de sempre, correspondendo a uma energia não fornecida de 8,6 MWh. O que quer dizer, que a REN alimentou de energia elétrica os diversos pontos de entrega aos consumidores em 99,99998% do tempo (cerca de 999 horas, 59 minutos e 59 segundos, por cada 1.000 horas).

Em 2013, prosseguiu a monitorização da qualidade da onda de tensão na generalidade dos pontos de entrega e de interligação da RNT.

As medições efetuadas continuam a mostrar resultados que se enquadram, com um reduzido número de exceções em casos pontuais e localizados, nos valores recomendados no Regulamento da Qualidade de Serviço.

O nível global de qualidade da energia elétrica depende do número de incidentes registados, ou com impacto, na rede de transporte. Em 2013, o número de incidentes e interrupções foram 249 (mais 35% que em 2012), dos quais 208 tiveram origem na rede de muito alta tensão (MAT), 20 na rede de alta tensão (AT) e 21 em outras redes mas com impacto nas redes MAT e AT da REN. Este aumento foi sobretudo reflexo dos incidentes verificados no dia 19 de janeiro, no total de 33, devido a temporal e ventos fortes, ocorridos na zona da Grande Lisboa.

Apenas oito incidentes (3,2% do total) provocaram interrupções no abastecimento de energia elétrica aos clientes, tendo causado oito interrupções de consumo nos pontos de entrega.

Outro modo de evidenciar o desempenho da rede de transporte é através do indicador designado por “Vulnerabilidade”, que traduz a capacidade da rede de transporte de não cortar o abastecimento de energia elétrica aos consumidores na sequência de incidente, qualquer que seja a sua origem (inclui também os incidentes de causa fortuita ou força maior). Este indicador é um rácio entre o número de interrupções de abastecimento e o número de incidentes.

Em 2013, a rede de transporte registou em média 0,0120 interrupções longas (> 3 min) e 0,0201 interrupções curtas (entre 1 seg e 3 min) por incidente.

Comportamento das redes

Os principais congestionamentos que ocorreram na RNT em 2013 estiveram associados a indisponibilidades de elementos de rede, tendo os mesmos sido solucionados através da criação de restrições de geração ou de alterações topológicas introduzidas na rede. Neste campo merece particular destaque as indisponibilidades que ocorreram no corredor entre Recarei e Riba d'Ave que, para além de medidas topológicas, obrigaram à mobilização de geração na central da Tapada do Outeiro e redução de geração hídrica localizada na bacia do Cávado.

No ano de 2013 o consumo nacional de eletricidade manteve-se em valores idênticos aos que jaá se haviam registado em 2012, pelo que se mantiveram os excessos de reativa na RNT e, consequentemente, as dificuldades no controlo das tensões. As dificuldades referidas foram ultrapassadas através de medidas de recurso, tais como impor a utilização de grupos da central de Sines em sede de verificação técnica do mercado diário, limitar a sua saída em mercados intradiários subsequentes, o desligar de linhas MAT ou a solicitação ao operador da RND para desligar as suas baterias de condensadores.

Finalmente, refira-se que durante o ano de 2013 voltaram a registar-se novos máximos de produção eólica, tanto em termos de energia como de ponta, tendo uma vez mais o sistema elétrico nacional conseguido albergar a totalidade dessa produção sem ter tido a necessidade de estabelecer reduções.

Disponibilidade

A Taxa Combinada de Disponibilidade, indicador regulatório introduzido pela ERSE em 2009, atingiu, em 2013, um novo máximo histórico, com o valor de 98,89%. A figura seguinte apresenta a evolução anual deste indicador nos últimos cinco anos. Ao revelar uma progressiva melhoria, torna evidente a evolução verificada ao nível da coordenção e programação das indisponibilidades da rede ao longo do período em causa.

Desempenho dos ativos da rede de transporte

Em 2013, as linhas da RNT tiveram um desempenho global satisfatório, apesar das condições atmosféricas adversas verificadas no dia 19 janeiro. Neste dia registaram-se 41 defeitos em linhas, incluindo a queda de três apoios na região de Lisboa. O número de defeitos por 100 quilómetros de circuito traduziu, assim, um aumento de 33% face ao ano anterior. Sem os defeitos ocorridos neste dia, o valor seria próximo do registado em 2012 (+4,8%). O gráfico da figura seguinte ilustra o desempenho das linhas nos últimos cinco anos, no que respeita ao número de defeitos por 100 quilómetros de circuito.

A taxa global de disponibilidade dos circuitos de linha, incluindo os painéis terminais, foi de 99,02%, valor significativamente superior ao verificado no ano anterior (+0,45%).

De uma forma geral, as subestações registaram um comportamento favorável no seu desempenho em serviço. Apesar desse facto, verificou-se um ligeiro incremento no número de avarias em transformadores e disjuntores face ao verificado em 2012, embora, na maioria dos casos, sem consequências na exploração da rede. A taxa global de disponibilidade de transformadores e autotransformadores (incluindo os respetivos painéis) situou-se nos 98,48%, valor semelhante ao verificado em 2011 (+0,03%). Este indicador é afetado, sobretudo, por remodelações e substituções de equipamento AT e de transformadores, no decurso de 2013.

No Relatório da Qualidade de Serviço, publicado anualmente pela REN, estes assuntos são tratados com uma maior profundidade técnica.