Caros acionistas

O exercício de 2013 apresentava-se como o mais difícil dos últimos anos em termos da envolvente económico-financeira da REN. A principal dificuldade residia na assimetria dos efeitos que as flutuações dos mercados financeiros têm na conta de resultados da REN.

Com efeito, a rápida redução das taxas de juro da dívida soberana, sendo em si uma boa notícia para o país e para a própria REN, produz, no entanto, um efeito negativo temporário sobre as contas da empresa, em virtude do modelo regulatório aplicado pela ERSE: enquanto os proveitos regulados respondem de imediato às variações da taxa de mercado da dívida soberana, os custos de financiamento da REN respondem com algum desfasamento, em virtude da rigidez do custo de alguns empréstimos mais antigos. Em consequência, já era expetável – e confirmou-se – que, em 2013, a redução dos proveitos seria mais rápida do que a redução do custo médio da dívida. Pelo contrário, em 2014 a redução do custo de financiamento da REN já se fará sentir fortemente, com um impacto muito positivo sobre o resultado antes de impostos.

Para mitigar a quebra da remuneração dos ativos regulados em 2013, a REN acelerou a redução dos custos operacionais através do streamlining das suas operações e da estrutura organizativa. Assim, os custos OPEX apresentaram uma diminuição de 10,4%, enquanto os custos do chamado OPEX core (isto é, excluindo os custos decorrentes de imposições legislativas ou regulamentares que não dependem da empresa, e que são recuperados nas tarifas) baixaram em 7,1%. O número de colaboradores da empresa no final do ano situava-se em 676, que compara com 735 no final do ano anterior. Com este esforço de eficiência, a REN conseguiu anular grande parte do impacto negativo de curto prazo da descida das taxas de juro, pelo que a redução do resultado líquido se limitou a 2,3 milhões de euros, ou 2% em relação ao resultado alcançado em 2012.

A qualidade de serviço voltou a registar valores extraordinariamente elevados, ao nível dos melhores de sempre. Na transmissão elétrica, o tempo de interrupção foi equivalente a cinco segundos a nível nacional, o segundo mais baixo de sempre, e no gás natural o tempo de interrupção voltou a ser igual a zero. É de destacar que as nossas infraestruturas de gás registaram este ano vários máximos de utilização apesar da situação macroeconómica. Assim,
 a procura de ponta da rede nacional de transporte atingiu o seu valor máximo no dia 9 de dezembro, e a utilização do terminal de Sines teve números máximos de operações de cargas de camiões cisterna para distribuição no território e de operações de descarga (41 navios em 2013) e de operações de transhipment para exportação (seis navios).

No último Dia do Investidor, tínhamos apresentado ao mercado o nosso plano estratégico, com três pilares de criação de valor para os próximos anos. O primeiro desses pilares era a otimização da exploração das concessões em Portugal, na eletricidade e no gás natural.
O segundo, a redução dos encargos financeiros e a melhoria das métricas de crédito. E o terceiro era o arranque de um processo de internacionalização que permitirá à REN melhorar o perfil de risco do seu negócio e encontrar fontes de crescimento rentável, ultrapassando as limitações do mercado doméstico.

No que respeita ao primeiro pilar, os ganhos de eficiência no OPEX alcançados nos últimos anos colocam a REN no final de 2013 entre os mais eficientes operadores europeus de transporte de energia. Assim, em termos de EBITDA por colaborador, a REN situa-se em segundo lugar, e em termos de quilómetros de linha por colaborador em primeiro lugar entre os TSO europeus. Também ao nível do CAPEX a REN tem conseguido superar as exigentes metas de eficiência definidas pela entidade reguladora através dos custos-padrão.

Quanto ao segundo pilar, a REN conseguiu em 2013 reduzir muito os custos dos novos financiamentos, e o próprio custo médio da dívida começou a descer, movimento que irá acelerar ao longo de 2014. Também o perfil temporal da dívida e a diversificação das fontes de financiamento melhoraram substancialmente, quer através das emissões de obrigações no mercado dos eurobonds, quer através dos contratos de financiamento assinados com o China Development Bank e com o ICBC.

Finalmente, o terceiro pilar, a internacionalização, começou a tornar-se uma realidade concreta na REN. Em 2013 a empresa recebeu os primeiros dividendos da participação que detém na Hidroeléctrica de Cahora Bassa e obteve a formalização do convite do governo da República
de Moçambique para integrar o capital da Sociedade de Transporte de Electricidade (STE), em parceria com a State Grid Corporation of China, a ESKOM (África do Sul) e a EDM (Electricidade de Moçambique). Por outro lado, na América Latina a REN apresentou pela primeira vez uma proposta para um projeto importante de uma concessão de linhas de muito alta tensão no Peru, a qual, embora não tenho sido vencedora, foi um importante avanço na curva de aprendizagem que nos permitirá vencer em próximas oportunidades. No Dia do Investidor explicámos que a internacionalização é uma corrida de fundo que a REN vai vencer.

Num ano especialmente difícil, a nossa empresa mostrou bem a resiliência do seu modelo de negócio. Conseguimos atravessar este ano subindo os resultados operacionais, graças sobretudo ao esforço de redução de custos. Em 2014 teremos a nosso favor a redução rápida do custo médio da dívida, ao mesmo tempo que continuaremos a reduzir custos operacionais. O nosso maior desafio será dar novos passos concretos no crescimento fora de Portugal, bem como minimizar o eventual impacto da contribuição extraordinária sobre o setor da energia prevista no Orçamento de Estado de 2014, através de esforços adicionais de aumento da eficiência operacional.

Não quero terminar sem acentuar que cada vez mais a sustentabilidade assume um papel preponderante em toda a atividade da REN. Multiplicaram-se em 2013 as iniciativas da nossa empresa no sentido de melhorar a qualidade de vida das comunidades locais em todo o território, a minimização do impacto ambiental das linhas nas áreas próximas dos centros urbanos, o apoio aos segmentos mais vulneráveis da população portuguesa, e a contribuição para a difusão da cultura sobretudo entre os jovens. Voltámos a ser internacionalmente reconhecidos por várias dessas iniciativas. A nível internacional mantemos o apoio à iniciativa Global Compact no âmbito das Nações Unidas.

Construir infraestruturas que são parte de um esforço global para reconciliar as necessidades crescentes de energia do mundo com a sustentabilidade do ambiente e a minimização das alterações climáticas é uma satisfação para todos os que trabalham na REN, que sentem que uma parte do benefício do seu trabalho vai ser colhido pelos mais jovens e pelas gerações futuras.

processo de internacionalização que permitirá à REN melhorar o perfil de risco do seu negócio e encontrar fontes de crescimento rentável, ultrapassando as limitações do mercado doméstico.

No que respeita ao primeiro pilar, os ganhos de eficiência no OPEX alcançados nos últimos anos colocam a REN no final de 2013 entre os mais eficientes operadores europeus de transporte de energia. Assim, em termos de EBITDA por colaborador, a REN situa-se em segundo lugar, e em termos de quilómetros de linha por colaborador em primeiro lugar entre os TSO europeus. Também ao nível do CAPEX a REN tem conseguido superar as exigentes metas de RELATÓRIO E CONTAS 2013 9 eficiência definidas pela entidade reguladora através dos custos-padrão.

Quanto ao segundo pilar, a REN conseguiu em 2013 reduzir muito os custos dos novos financiamentos, e o próprio custo médio da dívida começou a descer, movimento que irá acelerar ao longo de 2014. Também o perfil temporal da dívida e a diversificação das fontes de financiamento melhoraram substancialmente, quer através das emissões de obrigações no mercado dos eurobonds, quer através dos contratos de financiamento assinados com o China Development Bank e com o ICBC.

Finalmente, o terceiro pilar, a internacionalização, começou a tornar-se uma realidade concreta na REN. Em 2013 a empresa recebeu os primeiros dividendos da participação que detém na Hidroeléctrica de Cahora Bassa e obteve a formalização do convite do governo da República de Moçambique para integrar o capital da Sociedade de Transporte de Electricidade (STE), em parceria com a State Grid Corporation of China, a ESKOM (África do Sul) e a EDM (Electricidade de Moçambique). Por outro lado, na América Latina a REN apresentou pela primeira vez uma proposta para um projeto importante de uma concessão de linhas de muito alta tensão no Peru, a qual, embora não tenho sido vencedora, foi um importante avanço na curva de aprendizagem que nos permitirá vencer em próximas oportunidades. No Dia do Investidor explicámos que a internacionalização é uma corrida de fundo que a REN vai vencer.

Num ano especialmente difícil, a nossa empresa mostrou bem a resiliência do seu modelo de negócio. Conseguimos atravessar este ano subindo os resultados operacionais, graças sobretudo ao esforço de redução de custos. Em 2014 teremos a nosso favor a redução rápida do custo médio da dívida, ao mesmo tempo que continuaremos a reduzir custos operacionais. O nosso maior desafio será dar novos passos concretos no crescimento fora de Portugal, bem como minimizar o eventual impacto da contribuição extraordinária sobre o setor da energia prevista no Orçamento de Estado de 2014, através de esforços adicionais de aumento da eficiência operacional.

Não quero terminar sem acentuar que cada vez mais a sustentabilidade assume um papel preponderante em toda a atividade da REN. Multiplicaram-se em 2013 as iniciativas da nossa empresa no sentido de melhorar a qualidade de vida das comunidades locais em todo o território, a minimização do impacto ambiental das linhas nas áreas próximas dos centros urbanos, o apoio aos segmentos mais vulneráveis da população portuguesa, e a contribuição para a difusão da cultura sobretudo entre os jovens. Voltámos a ser internacionalmente reconhecidos por várias dessas iniciativas. A nível internacional mantemos o apoio à iniciativa Global Compact no âmbito das Nações Unidas.

Construir infraestruturas que são parte de um esforço global para reconciliar as necessidades crescentes de energia do mundo com a sustentabilidade do ambiente e a minimização das alterações climáticas é uma satisfação para todos os que trabalham na REN, que sentem que uma parte do benefício do seu trabalho vai ser colhido pelos mais jovens e pelas gerações futuras.